O governo das Baleares, liderado pelo PP, homenageará as vítimas de Palma em 1937, enquanto a Memòria de Mallorca exige manter a lei da memória democrática em
O Governo das Baleares, liderado pelo Partido Popular, planeja realizar uma cerimônia institucional em Palma em 27 July 2026 para as vítimas civis dos bombardeios republicanos contra a cidade durante a Guerra Civil Espanhola. O evento ocorre depois que o Parlamento das Baleares votou pela revogação da lei regional de memória democrática, decisão agora suspensa pelo Tribunal Constitucional da Espanha, e depois que a Memòria de Mallorca condicionou sua presença à mudança de rumo do Governo. A reportagem do elDiario.es sobre a cerimônia prevista em Palma coloca a disputa no centro de uma questão mais ampla: se as instituições podem homenagear as vítimas enquanto retiram o arcabouço jurídico que os grupos memorialistas dizem proteger seu reconhecimento.
Uma cerimônia moldada por uma disputa jurídica em aberto
O Governo das Baleares, liderado por Marga Prohens, do Partido Popular, deverá homenagear os civis mortos no bombardeio de Palma em 24 May 1937. O evento previsto não ocorre em um cenário político neutro. Em 10 March, o PP e o Vox concluíram a revogação da Lei 2/2018 das Baleares sobre memória democrática e reconhecimento democrático, cumprindo um compromisso assumido pelos dois partidos durante a legislatura atual.
Essa revogação, por enquanto, não está operando como uma mudança incontestada na legislação regional. O Governo espanhol a contestou perante o Tribunal Constitucional, argumentando que a retirada da legislação poderia afetar os direitos das vítimas de graves violações de direitos humanos, a divisão de competências entre a Espanha e suas comunidades autônomas e princípios constitucionais, incluindo a segurança jurídica. O Tribunal Constitucional admitiu a contestação e suspendeu a revogação como medida cautelar, o que significa que a lei permanece em vigor enquanto o tribunal examina o mérito do caso.
A Memòria de Mallorca diz que a cerimônia seria o primeiro convite institucional que recebeu do Governo das Baleares durante a legislatura. Mesmo assim, a associação comunicou à presidente regional que só comparecerá se o Executivo se comprometer publicamente, antes de 27 July, a manter a Lei 2/2018 e apoiar uma votação no Parlamento das Baleares para reverter a revogação.
O cenário que o Governo está preparando é, portanto, também um teste de como as instituições das Baleares definem a memória pública:

Os ataques a Palma e as vítimas civis lembradas
A comemoração diz respeito aos ataques aéreos republicanos realizados sobre Palma em 24 May 1937. Os ataques foram dirigidos a objetivos militares, segundo a reportagem fornecida, mas causaram consequências graves em bairros e áreas comerciais da cidade. Mulheres e crianças estavam entre os mortos, e as vítimas permaneceram em grande parte esquecidas por décadas.
A pesquisa do historiador Manuel Aguilera recuperou as identidades de pelo menos 86 vítimas civis dos bombardeios republicanos sobre Mallorca. O número ajuda a explicar por que o Governo descreveu o evento em termos de um grupo muito maior de civis, ao mesmo tempo em que mostra por que o trabalho de identificar indivíduos continua central para as organizações memorialistas. A pesquisa que identifica as vítimas dos bombardeios de Palma dá à cerimônia prevista uma base humana documentada, em vez de deixar os mortos como um total anônimo de guerra.
As principais datas e números no centro da disputa são:
A Memòria de Mallorca não questionou a necessidade de reconhecer esses civis. Em sua declaração, a associação expressou respeito, solidariedade e reconhecimento por todas as vítimas dos bombardeios. Sua objeção se dirige ao contexto político e jurídico do evento: ela argumenta que o mesmo Governo que removeu a lei da memória agora se apoia em princípios que, em sua visão, derivam dessa legislação.
Por que a Memòria de Mallorca pode não comparecer
As condições da associação
A associação memorialista estabeleceu duas exigências ligadas entre si antes de aderir ao ato institucional:
- O Governo das Baleares deve se comprometer publicamente a manter em vigor a Lei 2/2018 das Baleares sobre memória democrática e reconhecimento democrático.
- O Executivo deve promover uma votação no Parlamento das Baleares para reverter a decisão anterior de revogar a lei.
- O Governo deve explicar o papel da Comissão de Memória Democrática, que a associação diz ter sido excluída dos preparativos da cerimônia.
A associação é membro da Comissão de Memória Democrática como representante do movimento memorialista. Diz que a comissão não foi informada nem envolvida na organização do evento, apesar de ser o órgão criado pela lei para coordenar as políticas públicas de memória. A Memòria de Mallorca também afirma que a comissão foi convocada apenas duas vezes em mais de três anos de legislatura.
Essa reclamação acrescenta uma dimensão institucional ao desacordo. A questão não é apenas se o Governo convidou uma organização específica, mas se o órgão previsto em lei para coordenar a política de memória foi usado na preparação de um ato fundamentado nessa política.
A associação descreve a decisão de homenagear as vítimas enquanto mantém a intenção política de eliminar a lei que protege seus direitos como contraditória e inaceitável.
Memòria de Mallorca
A Memòria de Mallorca afirma que seu marco preferido para a memória democrática se baseia em verdade, justiça, reparação, garantias de não repetição e na lembrança das vítimas. Argumenta que esses direitos só estão plenamente protegidos quando legislação, instituições e vontade política de aplicá-los atuam em conjunto.
Como a revogação se tornou uma questão constitucional em aberto
O conflito se desenvolveu por meio de uma série de decisões políticas e jurídicas, e não apenas por causa da cerimônia. A lei da memória das Baleares foi uma das primeiras estruturas regionais na Espanha para investigar crimes da era franquista e reconhecer publicamente as pessoas que sofreram repressão após o golpe militar de 1936. Sua revogação, portanto, removeu uma estrutura regional que era usada para organizar investigações, reconhecimento e políticas públicas de memória democrática.
Os principais marcos são:

A suspensão cautelar da revogação pelo Tribunal Constitucional não encerra o caso. Ela, porém, altera o contexto imediato da cerimônia: a lei que a Memòria de Mallorca quer preservar continua em vigor do ponto de vista jurídico enquanto o tribunal analisa os argumentos do Governo espanhol.
Uma promessa mais ampla de lembrar as vítimas em todas as ilhas
O evento previsto em Palma também decorre de um compromisso do Parlamento das Baleares de reconhecer as vítimas civis de bombardeios em todas as ilhas, e não apenas as mortas no ataque republicano a Palma. Em 4 February, todos os grupos parlamentares, incluindo o PP e o Vox, apoiaram uma moção não vinculante apresentada pelo PSIB-PSOE. Ela pedia um ato institucional em homenagem a todas as vítimas civis dos bombardeios sofridos nas Baleares durante a Guerra Civil, sem distinção de lado.
A moção descrevia as vítimas como parte da tragédia compartilhada da guerra e afirmava que sua dor deveria receber reconhecimento e reparação moral das instituições democráticas. Também dizia que a memória deveria contribuir para a convivência e a paz. A moção parlamentar sobre o reconhecimento de todas as vítimas dos bombardeios da Guerra Civil oferece a base formal mais clara para tratar a cerimônia como um reconhecimento do sofrimento civil, e não como uma homenagem limitada a um único campo político.
A história mais ampla das ilhas é complexa. Em 13 September 1936, ataques de aviões fascistas italianos baseados em Mallorca mataram e feriram civis em Ibiza e causaram grandes danos ao porto e a outras partes da cidade. Em 29 May 1937, um esquadrão republicano bombardeou Ibiza em retaliação ao ataque ao cruzador alemão Deutschland, causando novamente mortes civis. Menorca também sofreu bombardeios aéreos e navais durante os meses finais da guerra.
Essa história ajuda a explicar a redação adotada pelo Parlamento das Baleares. A moção não distinguia entre as vítimas de acordo com o lado responsável pelo ataque. A disputa imediata, porém, continua concentrada em Palma, nos bombardeios de 24 May 1937 e na decisão da Memòria de Mallorca de condicionar sua presença ao futuro da lei regional de memória.
As posições institucionais podem ser apresentadas de forma clara:
| Ator | Posição ou ação registrada | Significado imediato | Fonte |
|---|---|---|---|
| Parlamento das Baleares | Aprovou o reconhecimento de todas as vítimas civis dos bombardeios, sem distinção de lado | Cria uma base parlamentar ampla para a homenagem prevista | relato da moção parlamentar |
| Governo espanhol e Tribunal Constitucional | O Governo espanhol contestou a revogação; o tribunal a suspendeu como medida cautelar | A Lei 2/2018 permanece em vigor enquanto o caso constitucional prossegue | relato do Tribunal Constitucional |
Como a revogação se tornou uma questão constitucional em aberto
O Governo das Baleares precisa decidir, em termos práticos, qual será seu próximo passo: alterar sua posição sobre a Lei 2/2018 antes da cerimônia, ou seguir adiante com o evento sabendo que a Memòria de Mallorca talvez não compareça. A associação já escreveu à presidente Prohens para comunicar essa condição.
Para o Governo, a cerimônia atende a um pedido parlamentar de reconhecimento das vítimas civis e dá visibilidade pública a uma parte da história de guerra de Palma que permaneceu em segundo plano por décadas. Para a Memòria de Mallorca, participar sem um compromisso com a lei colocaria em risco a separação entre o reconhecimento dos mortos e as garantias institucionais que ela considera necessárias para proteger sua memória.
A intervenção do Tribunal Constitucional significa que a discordância não diz respeito apenas a saber se a lei deve existir. Ela também diz respeito ao que as instituições regionais podem fazer enquanto a mais alta jurisdição constitucional da Espanha reavalia a revogação. Até que o tribunal se pronuncie sobre o mérito, a homenagem planejada pelo Governo das Baleares ocorrerá ao lado de uma lei que continua provisoriamente válida e de uma associação exigindo que sua permanência seja reconhecida.
Os principais pontos para leitores em Mallorca e em toda as Baleares são:
A cerimônia de Palma, portanto, deverá transmitir duas mensagens ao mesmo tempo: o reconhecimento dos civis mortos durante a Guerra Civil e a disputa em curso sobre o arcabouço jurídico usado para lembrá-los. Se a Memòria de Mallorca participará do evento dependerá de o Governo das Baleares tratar a lei da memória, hoje suspensa, como uma obrigação a ser preservada, e não apenas como uma medida que votou para revogar.
Fontes
- L'Ajuntament de Bunyola implantarà prop de 2.900 comptadors intel·ligents amb telelectura per modernitzar la gestió de l'aigua al municipi (mallorcaconfidencial.com)
- Santanyí entra de lleno en la semana grande de las fiestas de Sant Jaume (mallorcaconfidencial.com)
- Vecinos y visitantes se vuelcan con la campaña de dinamización comercial del verano de Santanyí (economiademallorca.com)
- El Consell de Mallorca y Ecovidrio promueven el reciclaje en 800 hoteles de la isla (economiademallorca.com)
- Programa especial ‘Al Dia Pitiüses’ d’IB3 Ràdio a Formentera per les festes de Sant Jaume (ib3.org)
- El Temps Migdia 23-07-2026 (ib3.org)
- El Principal de Palma obre la nova temporada amb La Zaranda i 'Quiso negro' (arabalears.cat)
- Els tècnics desaconsellen els aires portàtils malgrat que les vendes s'han disparat un 30% (arabalears.cat)
- El PP homenajeará a las víctimas de los bombardeos republicanos en Palma tras derogar la Ley de memoria democrática (eldiario.es)
- La avispa oriental despierta las alarmas en Ibiza: "Es letal para las abejas" (eldiario.es)






